quinta-feira, 10 de junho de 2010

Carta de um fim de namoro.

    Eu não sei como começar isso, mas já comecei, então acho que devo terminar. Mas o que dizer se há tanto pra contar e tão pouca eloquência? Por isso o papel, juntamente com a caneta, sempre foi nosso cupido, afinal, as coisas apesar de sempre confusas, geralmente foram melhores entendidas pelo papel. Estamos vivendo fases novas em nossas vidas, somos jovens e felizes, apesar de tudo. Outro dia ouvi os filhos de um amigo dizerem 'oh vida tirana!' Pensei comigo mesmo: é justo reclamar quando se tem o que se precisa? e o que realmente precisamos? Nós nos precisamos? Por que? Como conciliar o prazer de estar, com a dor da ausência do eu amado? como amar sem sofrer? vale sofrer por amor? há como amar sem sofrer? são muitas perguntas, e você sabe, eu sempre faço perguntas.
     Infeliz de mim, por encontrar as respostas dos meus questionamentos. tudo o que sei é que tenho um prazer imenso em dividir minha vida com você, mesmo sabendo que sofro por te fazer sofrer por mim sem nenhum motivo. A não ser o de confundir as interações e as ações que praticamos. É curioso pensar que a simples vontade de amar quem se acha que deve pode resultar em tanta dor ou em sentimentos tão fortes como o de sentir-se algo que não se é de fato.
     Existe culpa? de quem é a culpa? quantas armas você tem pra vencer a guerra do amor? que guerra? quem vai vencer a guerra da correção do outro? seríamos ainda estranhos tentando não olhar torto um para o outro? Como saber se você é a minha aliada no jogo global de guerra às condutas? Até quando nos trataremos como coisas que precisam ser corrigidas para a felicidade do outro? Por que nos corrigir se somos jovens e felizes? Ainda precisamos pensar no que seremos ou já somos o que precisamos ser? e quem se importa? o que somos afinal além de vigias de nós mesmos tentando normalizar o mundo a nossa volta? não, eu não tenho as respostas. Pois infeliz de mim, desde sempre, por pensar demais e não preencher o meu óbvio com as necessidades que você julga como prioridades. 
     Isso não é o fim, tampouco o inicio, mas sim, é a amostra mais verdadeira da distancia de nossos universos. Eu não consigo parar de inserir incertezas no nosso futuro, adoro profetizar, muito embora não seja muito bom nisso. Prefiro não criar expectativas. Uma vez que a verdade está sendo dita de uma maneira tão clara. Maldito e bendito papel que nos alegra ao mesmo modo que nos entristece. Gosto das coisas assim, gosto de saber com quem estou lidando e o que estão pensando, talvez você saiba disso. [...]

[falta uma parte]

     Por isso a distância entre nós se mostra mais evidente, certamente te amo, mas seguramente me coloco em primeiro lugar em quase todas as situações onde há nós. Eu sofri, e sofro, porque você sofre por mim. Não por pena, mas porque te amo e todo aquele que amo, sofrendo, me faz sofrer. É estranho dizer que por certo tempo me senti como seu filho, não foi agradável, mas foi empiricamente valioso. Depois de um tempo eu percebi que você precisava de alguém que cuidasse de você, mas como posso ser essa pessoa se sou justamente o contrário? eu sou a razão do seu sofrimento ao tempo que você é a razão do meu. É curioso, completamente paradoxal. Sofremos juntos, sofremos porque amamos, mas não amamos porque sofremos. Amamos porque somos jovens e felizes, pessoas solitárias que um dia cogitaram a possibilidade de juntas completar em nós um vazio que nós mesmos criamos ao instituir a necessidade do outro.

[...]
 

Djair Moura

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